FAQ

Informações sobre a Oxitec, a tecnologia por trás do Aedes do Bem™! e as três principais doenças transmitidas pelo Aedes aegypti selvagem no Brasil

Oxitec

A Oxitec é uma empresa que desenvolve soluções sustentáveis com tecnologia de ponta para o controle de insetos-pragas e vetores. Fazemos e utilizamos insetos geneticamente modificados como ferramentas de combate a insetos selvagens prejudiciais à saúde humana e às culturas agrícolas. Acreditamos que nossos insetos geneticamente modificados são capazes de proteger pessoas e culturas agrícolas de forma eficaz, sustentável e segura.

No campo, os machos geneticamente modificados da Oxitec cruzam com as fêmeas selvagens, gerando descendentes que morrem antes de chegar à fase adulta, diminuindo, portanto, a população de insetos adultos. No casos de algumas linhagens, somente as fêmeas morrem, melhorando a eficácia do uso dos machos geneticamente modificados da Oxitec.

Em setembro de 2015 a Oxitec passou a fazer parte da Intrexon (NYSE: XON), empresa líder em biologia sintética no mundo.

A Oxitec é uma empresa de origem inglesa e coração brasileiro. Atualmente, possui escritórios em Oxford, na Inglaterra, e em Campinas, no Brasil, onde tem sua sede, e em Piracicaba, onde fica sua unidade de produção de grande escala.

A Oxitec tem também uma filial nas Ilhas Cayman, onde está realizando um novo projeto de supressão do Aedes aegypti selvagem devido aos bons resultados obtidos no trabalho realizado em 2010, que levou a uma taxa de supressão de 96% do Aedes aegypti selvagem.

Sim. A Oxitec desenvolve insetos geneticamente modificados, incluindo aqueles para combater a Ceratitis capitata (a mosca-do-mediterrâneo, considerada a maior praga da citricultura), a Plutella xylostella (traça das crucíferas, que ataca brócolis, repolho e alface) e a Pectinophora gossypiella (pragas do algodão, popularmente conhecida como lagarta-rosada).

Aedes do Bem™!

É o nome popular da linhagem de machos do Aedes aegypti OX513A, criada em 2002 pela Oxitec. O objetivo do Aedes do Bem™! é diminuir a população do Aedes aegypti selvagem, mosquito transmissor de dengue, Zika, chikungunya e febre amarela.

No laboratório, milhares de ovos do Aedes aegypti receberam, em 2002, uma injeção que continha DNA sintético com dois genes. Após diversos cruzamentos em laboratório, foi escolhida a linhagem do Aedes do Bem™!

Um dos genes inseridos no Aedes aegypti causa a produção em excesso de uma proteína chamada tTAV. Produzida em grandes quantidades na fase de larva, essa molécula faz com que o sistema celular responsável pelo desenvolvimento do mosquito entre em colapso, impedindo-o de chegar à fase adulta. Na unidade de produção da Oxitec, os mosquitos conseguem se reproduzir porque, durante a fase de larva, recebem uma dose de tetraciclina, que neutraliza a ação do tTAV. Como esse antídoto não está disponível no ambiente, os descendentes do Aedes do Bem™! morrem antes de chegar à fase adulta.

Não. A proteína tTAV não é tóxica ou alergênica. Ela apenas faz com que o sistema celular responsável pelo desenvolvimento do mosquito entre em colapso, impedindo-o de chegar à fase adulta.

O DsRed2 serve como um marcador fluorescente e pode ser visto nas larvas do Aedes do Bem™! usando um microscópio com uma luz apropriada. Esse gene é fundamental para o monitoramento dos descendentes do Aedes do Bem™! no campo e pode ser encontrado em um coral do gênero Discosoma.

Como a pupa dos machos é menor que a das fêmeas, a Oxitec desenvolveu um aparelho com uma malha que permite a passagem das pupas macho ao mesmo tempo em que retém as pupas fêmea.

Não, mas um controle de qualidade contínuo e rigoroso é conduzido pela equipe de produção do Aedes do Bem™!. A cada lote produzido, uma amostra é retirada e analisada. Um técnico treinado verifica ao microscópio pupa por pupa de diferentes lotes para se certificar que só há machos – se houver mais de duas pupas fêmea em uma amostra de mil, o lote todo é repassado no aparelho. Em geral, a cada 2.500 machos, uma fêmea é liberada.

Aedes do Bem™! é liberado no ambiente e cruza com as fêmeas selvagens. Seus descendentes herdam os genes adicionais e morrem antes de chegar à fase adulta, diminuindo a população das próximas gerações de mosquito Aedes aegypti selvagem.

O Aedes do Bem™! já obteve resultados positivos em cinco locais diferentes, três deles no Brasil. Liberados em bairros de Juazeiro (BA) e Jacobina (BA), os Aedes do Bem™! conseguiram reduzir em até 99% a população selvagem de Aedes aegypti nas áreas tratadas. Em Piracicaba (SP), resultados preliminares mostraram uma redução de 82% em larvas selvagens nas áreas tratadas com o Aedes do Bem™!, em comparação com uma área sem liberação escolhida como controle.

Embora a eficácia do Aedes do Bem™! possa ser medida em termos de redução porcentual, isso faz sentido somente na primeira fase de um projeto em que há uma infestação significativa pelo Aedes aegypti selvagem. O Aedes do Bem™! pode também ser usado para manter uma supressão e/ou prevenir uma infestação pelo Aedes aegypti selvagem. Neste contexto faz sentido falar em termos da quantidade por hectare de Aedes aegypti selvagem. A Oxitec, em particular, foca em entregar um nível de supressão que esteja abaixo do limiar teórico de transmissão epidêmica da dengue.

Com a diminuição da população selvagem de Aedes aegypti adultos, espera-se que a quantidade de casos de doenças transmitidas pelo mosquito também seja reduzida. Atualmente, o único método para diminuir a incidência da dengue, Zika e chikungunya é o controle do principal mosquito transmissor delas, o Aedes aegypti selvagem.

No caso da dengue, existe um modelo teórico de transmissão epidêmica da doença. O nível de supressão alcançado pelos cinco projetos já realizados pela Oxitec levaram a quantidade de Aedes aegypti selvagem abaixo do limiar teórico de epidemia de dengue.

A tecnologia do mosquito transgênico é uma ferramenta poderosa, mas a Oxitec acredita que ela deva ser parte de um programa integrado de controle de vetores para combater essas doenças no Brasil, incluindo ações para eliminar focos de água parada que servem como criadouro do mosquito e, se necessário, o uso de inseticidas.

Sim, a Oxitec do Brasil tem sua sede em Campinas, no interior de São Paulo e uma unidade de produção de mosquitos em grande escala em Piracicaba, também no interior paulista.

 

A cópula de mosquitos é normalmente espécie-específica, ou seja, acontece entre indivíduos da mesma espécie. Porém, se o Aedes do Bem™! cruzasse com uma outra espécie de mosquito, os filhotes gerados pelo cruzamento não chegariam à fase adulta devido à incompatibilidade no cruzamento de diferentes espécies.

Os Aedes do Bem™! são machos que não picam e não transmitem doenças.

O mesmo que ocorre quando uma fêmea selvagem de Aedes aegypti selvagem pica uma pessoa. Testes mostraram que a saliva dos mosquitos fêmeas geneticamente modificados não possui nenhum produto dos genes inseridos pela Oxitec.

Não. As fêmeas da Oxitec vivem de dois a quatro dias. Para uma fêmea ser capaz de transmitir uma doença como a dengue demora de sete a dez dias.

Ele é digerido pelo animal como qualquer outro inseto. Os elementos nutritivos presentes no mosquito, como proteína, gordura e açúcar, são exatamente os mesmos de um mosquito selvagem. A tTAV e qualquer outro produto dos genes adicionais não tem nenhum efeito sobre o organismo.

Quando um animal come um Aedes aegypti geneticamente modificado, os genes inseridos pela Oxitec não são transmitidos para o animal. Ao ingerir um Aedes aegypti selvagem, os animais também não recebem nenhum dos genes do mosquito selvagem. Predadores de mosquito também não sofrem nenhum tipo de efeito danoso ao consumir Aedes aegypti selvagem ou geneticamente modificado.

O Aedes do Bem™! morre de dois a quatro dias após ser liberado no ambiente.

O Aedes aegypti selvagem é oriundo da África e é considerado uma espécie invasora no Brasil, portanto não é fundamental para a alimentação de nenhuma espécie animal presente no país. O Aedes aegypti já foi erradicado do Brasil na década de 1950, mas ressurgiu no país no final da década de 1960.

O Aedes aegypti é o principal vetor de transmissão da dengue, da chikungunya e da Zika no Brasil. Apesar de o Aedes albopictus ter a capacidade de disseminar ao menos as duas primeiras doenças, ele é relativamente ineficiente em transmiti-las. Enquanto a fêmea do Aedes aegypti consome muito sangue humano, vive dentro e em volta das casas e pode picar várias vezes, o Aedes albopictus, por sua vez, costuma habitar áreas silvestres e se alimenta de diferentes fontes, picando também outros mamíferos e pássaros.

O uso de organismos geneticamente modificados é regulamentado pela Política Nacional de Biossegurança (PNB). A lei nº 11.105, de 24 de março de 2005, criou a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), que implementa a PNB. Formada por uma equipe multidisciplinar, a CTNBio fornece apoio técnico e assessoramento ao Governo Federal na formulação, atualização e implementação da Política Nacional de Biossegurança. A Comissão regulamenta organismos geneticamente modificados, além de estabelecer normas técnicas de segurança referentes à proteção da saúde humana, dos organismos vivos e do meio ambiente para atividades que envolvam a construção, experimentação, cultivo, manipulação, transporte, comercialização, consumo, armazenamento, liberação e descarte de organismos geneticamente modificados e derivados.

Sim, nas Ilhas Cayman e no Panamá – locais que, assim como o Brasil, apresentam altos índices de Aedes aegypti selvagens.

Os testes foram autorizados pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) e seguem os padrões de segurança estabelecidos pela entidade.

No Brasil, o órgão responsável por avaliar a segurança do Aedes do Bem™! é a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). A CTNBio é um órgão colegiado federal composto por 27 membros, todos eles com grau de doutor. Em abril de 2014, a Oxitec recebeu aprovação de biossegurança da CTNBio – a entidade concluiu que o Aedes aegypti OX513A, nome da linhagem conhecida no Brasil como Aedes do Bem™!, não oferece risco à saúde humana, ambiental, animal e vegetal.

Dengue

Não. Os machos não picam, portanto não podem transmitir doenças. O principal vetor urbano de doenças é a fêmea do Aedes aegypti. Ela precisa do sangue para desenvolver seus ovos e tem uma forte preferência pelo sangue de seres humanos.

Sim, o Aedes albopictus também é capaz de transmitir a dengue. Esta espécie, porém, não transmite doenças entre humanos de forma tão eficaz quanto o Aedes aegypti. Atualmente o Brasil não registra evidência de dengue transmitida pelo Aedes albopictus.

O ciclo de transmissão começa quando uma fêmea do Aedes aegypti pica um ser humano infectado com o vírus da doença. Ao entrar no corpo da fêmea do Aedes aegypti, o vírus da dengue começa a se multiplicar e se espalhar pelos tecidos. Depois de quatro a dez dias, o vírus chega às glândulas salivares do mosquito. A partir daí, a fêmea pode transmitir a dengue para as pessoas picadas por ela.

Após o período de quatro a dez dias para que o vírus chegue às glândulas salivares, o mosquito é capaz de transmitir a dengue pelo resto de sua vida, que costuma durar de três a quatro semanas.

Não, a doença não é transmitida pelo contato entre pessoas doentes e saudáveis. A dengue só é transmitida pela picada da fêmea do mosquito já infectada pelo vírus.

O período de incubação da dengue no corpo humano varia de três a 15 dias. O tempo médio para o aparecimento dos sintomas da doença é de cinco a seis dias.

O macho se alimenta apenas de substâncias açucaradas, como néctar. Normalmente, as fêmeas têm uma dieta semelhante a dos machos, mas precisam de sangue humano para desenvolver seus ovos e, por isso, picam.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), de 50 a 100 milhões de pessoas contraem a dengue ao redor do mundo a cada ano. Em 2015, o Brasil registrou cerca de 1,5 milhão de casos.

Não. A dengue está presente em mais de 100 países em todo o mundo, entre eles: Estados Unidos, México, Costa Rica, Honduras, República Dominicana, Panamá, Cuba, Ilhas Cayman, Índia, Malásia, Indonésia, Vietnã e Cingapura. Produzido com dados públicos, um mapa da dengue no mundo é mantido pelo Centro de Controle de Doenças e Prevenção (CDC) e pelo HealthMap. Clique aqui para ver o mapa.

Há quatro tipos de vírus da dengue estabelecidos no mundo. Todos podem causar a forma clássica ou a mais grave (hemorrágica) da doença – recentemente foi descoberto um quinto tipo de vírus da dengue, na Malásia. Os vírus da dengue pertencem à família Flaviviridae, a mesma do vírus da febre amarela.

Sim, como há quatro tipos de dengue, uma pessoa pode contrair cada um deles uma vez. Por exemplo: após ser infectada pelo tipo 1, a pessoa fica imune à ele, mas pode ser infectada pelos outros tipos. Nesse caso, os sintomas se agravam e podem levar à forma mais grave da doença, a dengue hemorrágica.

Sim, mas ela não oferece proteção total. Produzida pelo laboratório Sanofi, a vacina apresentou apenas 66% de eficácia, número que pode ser insuficiente para barrar uma epidemia. Uma outra vacina, desenvolvida pelos NIH (Institutos Nacionais de Saúde), nos EUA, ainda passa por testes de eficácia no Brasil.

Zika

O vírus Zika foi identificado pela primeira vez em 1947, em primatas na floresta Zika, em Uganda. Seus sintomas mais recorrentes são febre baixa, dor de cabeça, dores leves nas articulações, manchas vermelhas na pele, coceira e conjuntivite. Apesar de ter sido encontrado no Brasil em abril de 2015, um estudo afirma que ele pode ter sido introduzido no país em meados de 2013.

Não. O principal vetor da Zika é a fêmea do Aedes aegypti, que precisa do sangue humano para desenvolver seus ovos.

Além da picada do mosquito, a Zika pode ser transmitida de mãe para filho (durante a gravidez) e por meio de transfusões de sangue. Há relatos de transmissão sexual, mas essa via de contaminação é rara.

Um estudo de caso-controle realizado pelos CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA) em parceria com epidemiologistas brasileiros confirmou a relação entre a epidemia de Zika e o aumento no número de casos de microcefalia. Experimentos já mostraram que o vírus é capaz de atacar células do sistema nervoso humano. A relação, portanto, está comprovada, mas cientistas ainda buscam uma descrição precisa do mecanismo biológico pelo qual o vírus afeta o desenvolvimento nervoso do feto.

Os sintomas demoram de três a 12 dias para se manifestar. Depois do surgimento dos primeiros sinais, eles duram por até uma semana.

Desde o primeiro registro, 71 países já registraram surtos de Zika em diferentes momentos. Antes da década de 1980, os casos eram restritos a 11 países na África Subsaariana – o Paquistão foi o único país a registrar casos fora daquela região. Um período de pausa aparenta ter ocorrido por três décadas. A segunda onda epidêmica, iniciada em 2007, tomou inicialmente algumas nações no Pacífico e se espalhou para as Américas por volta de 2013. Dos 59 países atingidos nessa segunda leva, apenas quatro (todos pequenas ilhas) conseguiram debelar seus surtos. Nos outros, essa pandemia experimentou um crescimento explosivo em 2015 e 2016.

Chikungunya

A Tanzânia foi a primeira nação a documentar a doença, em 1952 – em um dos idiomas do país, a palavra chikungunya significa “aquele que se dobra”, em referência aos pacientes que contraem a doença e se curvam por causa das articulações doloridas. Causada pelo vírus CHIKV, a chikungunya provoca febre súbita a partir de 38,5°C e fortes dores nas articulações, principalmente nos tornozelos e punhos. Em 2014, a doença foi identificada pela primeira vez no Brasil.

Não, o principal transmissor da chikungunya é a fêmea do Aedes aegypti – ela precisa do sangue humano para produzir seus ovos. O mosquito macho do Aedes aegypti não pica, logo não pode transmitir a chikungunya.

Sim, o Aedes albopictus também é capaz de transmitir a chikungunya. A diferença é que o albopictus costuma habitar áreas de vegetação mais densa e se alimenta do sangue de outros animais, o que faz com que a ameaça desse mosquito seja diluída e tenha potencial para atingir um número menor de pessoas em comparação ao Aedes aegypti.

A doença só pode ser transmitida pela picada da fêmea do mosquito já infectada pelo vírus.

Os sintomas costumam aparecer de dois a dez dias depois da picada, mas esse período de incubação pode se estender por até 12 dias.

De acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), agência do governo dos EUA responsável por monitorar doenças infecciosas, desde 2013 mais de 1,7 milhão de casos de suspeita de chikungunya foram registrados somente nas Américas.

Não. De acordo com os CDC, 103 países já registraram casos da doença. Entre eles, estão: Itália, França, China, Índia, Gabão, África do Sul, Costa Rica, México e Quênia.